sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Da aldeia Juminá para o seminário no Oiapoque

O cacique Manoel Vidal, da etnia Karipuna, viajou duas horas de barco e uma hora de carro para chegar à Aldeia do Manga, no município de Oiapoque, extremo norte do país, no estado do Amapá, onde participa do seminário de Reestruturação da Funai. Ele disse que terá que ouvir atentamente todas as informações apresentadas pela equipe do órgão indigenista para passar para as quarenta famílias que moram na Terra Indígena Juminá.

Para chegar ao município o único acesso é por barco. Manoel explica ainda que quando o rio está seco, nos meses de junho a dezembro, a viagem é mais longa. São duas horas de viagem navegando pelo rio Oiapoque. Quando o rio está cheio, na época da chuva, entre janeiro e junho, a viagem é mais curta. É possível chegar em 1 hora de viagem. “Aqui a estrada é o nosso rio”, conta o cacique.


Sobre a vida na aldeia, Manoel fala que no dia-a-dia os índios produzem farinha (alimento feito de mandioca geralmente consumido com peixe ou carne). Geralmente o produto é comercializado no município de Oiapoque. Os índios da região fornecem 60% da farinha consumida na cidade. Manoel explica ainda que na aldeia são cultivados banana, laranja e abacaxi. Eles sobrevivem do consumo de peixe e de caça. E consumem também a farinha que produzem - que são a base de sua alimentação. Os Karipuna ainda dominam a técnica de trançar, utilizada para a produção de peneiras, tipitis, esteiras, abanos e cestos.

Funai - Com o processo de reestruturação da Funai, a jurisdição da Terra Indígena Juminá será de responsabilidade da Coordenação Técnica Local do Oiapoque, que está vinculada a Coordenação Regional de Macapá. No Oiapoque, terão três coordenações técnicas locais. As outras duas serão responsáveis pelas terras indígenas Galibi e Uaça.

É de responsabilidade da Coordenação Regional acompanhar, planejar e executar a implementação da política indigenista brasileira. Ela também tem o dever de coordenar técnica e administrativamente as Coordenações Técnicas Locais (CTL). Entre as obrigações, também está condicionada viabilização para implantação e o funcionamento do Comitê Regional, composto por servidores e indígenas em número igual. É neste momento que Manuel deve ficar bem atento. Ele e os demais líderes indígenas, para definir quais serão os seus representantes no Comitê Regional. E mais do que isso, cobrar ações eficazes que atendam as demandas da sua comunidade.

Já as CTL vão analisar as demandas das comunidades indígenas, apresentar e desenvolver projetos junto a população. Além disso, irão articular e coordenar ações junto a órgãos do âmbito estadual e municipal. Neste novo modelo, os técnicos trabalharam mais próximos a áreas indígenas. Cada Coordenação Técnica poderá trabalhar de maneira diferenciada, conforme as demandas das comunidades.

Essa é mais uma edição de seminários que acontecem em todo o País nos meses de setembro, outubro e novembro. Diferente dos demais seminários, é a primeira vez que a Funai realiza em uma aldeia indígena.

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